Existem muitas pessoas que relatam terem tido boas ideias, ou chegaram a conclusões sobre questões que há muito tempo permaneciam na mente. Outras muitas definham, passam a ter um desinteresse pela vida, podem entrar em depressão, crises de despersonalização e até esquizofrenia. O que explica isso? Estaria um dos lobbies, da liberação ou da proibição, mentindo? Ou essas duas coisas co-existem? Tentarei encontrar a resposta:
Tudo depende da direção que sua mente está apontando seu vetor. Creio ser possível usar um psicoativo de modo que ele contribua pra que você complete uma ideia. Ideias só se cristalizam na sua mente e viram uma convicção quando você a completa, chega em uma conclusão que a torne palpável. Essas ideias que você esquece são justamente as que você não completou (e voltarão à tona quando uma nova informação que encaixe nesse quebra-cabeças incompleto da ideia aparecer na sua vida). "E qual seria o contrário?". Já vi também em muitos usuários de maconha uma crise de despersonalização e falta de motivação. A resposta sobre esse gigantesco abismo, pessoas que disseram ter tido ideias muito boas durante o efeito, e que permaneceram boas depois do tempo acabar; e pessoas que sofrem de uma crise de despersonalização, às vezes até voltando uma casa do processo de individuação (processo onde os elementos inatos da sua personalidade, os componentes da imatura psique e as experiências de vida da pessoa se integram ao longo do tempo em um todo, onde funcionam bem. Basicamente é "virar adulto") e participam de um rito inconsciente e maldoso, talvez esteja também na disposição noológica, espiritual, da pessoa. O que explica essa dualidade, que confunde toda a discussão sobre os efeitos reais da maconha, parecendo que os dois lados não conseguem alcançar a essência real do motivo de serem contra/a favor? Se imaginarmos que o eixo auto-transcendência (epifania)/despersonalização é um gradiente, verá que o quanto ela vai pra um lado ou pro outro depende de cada um. Até certo momento da "brisa", é você que consome e engloba informação. Em outro, é a informação que te consome. Não que todo estado semi-consciente te consuma de forma que te desgaste, mas esse em específico te desgasta. Daí a noção de que o maconheiro "emburrece" com o tempo, ou deforma sua personalidade. Essas duas noções derivam de dois fatores sendo que um deles também explica os relatos de pessoas que tiveram "epifanias" ou "profundas conclusões" ou também "integrações interiores".
1) O fator ponerológico e o afinamento da membrana de sua alma
Andrew Lobaczewski, em seu livro "Ponerologia", descreve um processo que ocorre em um grupo infectado por maldade. Nesse processo, de substituição de informações em grupo, de forma espontânea ou controlada membros de um grupo justificam a moral coletiva dali. Sempre que surge alguém que contesta um comportamento próprio que também é do grupo, outro membro apresenta uma justificativa moral pro ato. Logo todos estão seguindo o mesmo diapasão. O exemplo mais comum é a pessoa que começa a se sentir mal por fumar a droga por conta do dinheiro que ela acaba dando pro conglomerado de maldade que controla o tráfico de drogas. No processo de substituição de informações, a justificativa é a de que "somos obrigados a isso porque é proibido", ou "você dá pouquíssimo dinheiro pra eles, se parar não fará diferença", como se maconha fosse água e não algo banal, e como se jogar lixo no chão não fosse errado porque "todo mundo faz".
Mas até então, esse processo ponerológico pode acontecer em qualquer grupo, família, comunidade ou nação. O que a maconha tem a ver? Ela, aparentemente, afina um tipo de "membrana" das suas convicções. Ou seja, ela deixa a pessoa "suscetível a sugestões", pra usar o jargão dos psicólogos. Toda vez que alguém te sugere algo, como "isso é certo/errado", cabe a você aceitar ou não. É uma nova informação que diz respeito às suas convicções e caso não seja equivalente ao que você pensa, ou seja, caso você não concorde, cabe a você processar essa nova informação e decidir se ela substituirá ou não a informação que está em você. Quem usa maconha tende a aceitar mais essas novas informações sugestivas. Isso quer dizer que esse efeito facilita e muito o processo ponerológico descrito pelo Andrew.
2) O acelerador de partículas de informação
Durante o efeito, é como que na sua mente o negócio fosse um acelerador de partículas de informação. Suas ideias, completas e incompletas, bem como matéria bruta do inconsciente, começam a ser jogadas umas contra as outras. Isso pode ser observado por eletroencefalogramas. A seguir, uma imagem da atividade cerebral de alguém sóbrio, sem estímulo intelectual algum, e a atividade cerebral da mesma pessoa ao fumar maconha:
sóbrio
maconha
É daí que vem o pensamento de que a maconha provoca epifanias. A sensação de uma grande descoberta é vista tanto em quem realmente pensa algo útil como em quem pensa em algo completamente imbecil, como "e se o oceano fosse na verdade fogo?". As imagens do estudo da Ana Lorga, especialista em Neuromarketing (uma versão polida de forma macabra da engenharia social) indicam que a teoria da aceleração das partículas de informação pode ser correta. Falarei mais desse "novo ramo", o "neuromarketing", em outra oportunidade. E da mesma forma que a sensação de ter uma epifania provoca um engano, acreditar que algo besta e/ou errado está certo e/ou é sensacional, outros enganos podem acontecer. Quando essas partículas de informação se agitam e começam a se movimentar cada vez mais rápido na mente, duas coisas podem acontecer: você pode manter os pés firmes no chão e observar os padrões que se formam nesses choques, que podem gerar explosões silogísticas, ou pode se perder nessa nevasca (ou série de nevascas, se for um hábito). Por isso que essa diferença pode existir: algumas pessoas, que acabam defendendo a maconha, passam por integrações da personalidade ou conclusões sobre um pensamento inacabado ou até uma ideia inovadora tecnológica e outras emburrecem, começam a ter lapsos de memória, ou coisas piores como crises de despersonalização, uma desintegração do ser, passam a aderir diversas imoralidades (como mentir mais), e vão até pra uma esquizofrenia. Excluindo totalmente o âmbito biológico da coisa, como as doenças físicas que a maconha pode causar, e excluindo a questão do tráfico, ou seja, observando apenas o âmbito da mente, da alma, a maconha faz mal pra quem é corroído pelos efeitos, e não faz mal pra quem já está integrado no Eu, quem é "pé no chão", e até por isso, não deixa que a coisa vire um hábito.
Caso o usuário definhe completamente, entre em depressão ou tenha acessos de esquizofrenia, deve ser internado sim (até porque acredito que depressivos devam ser internados também. Creio que a depressão seja o câncer da alma, uma das doenças mais sérias, isso se não for a mais séria, da mente. Mais sério ainda é o movimento anti-manicomial que tenta forçar as pessoas a "aprenderem a conviver" com a depressão, que ,enquanto isso, se alastra como um tumor maligno). É isso o que penso sobre o assunto.